Fever capta R$ 50 milhões para ampliar frota de veículos elétricos no Brasil

Com modelo de locação e fundo próprio, empresa de Florianópolis financia veículos elétricos para entregas urbanas e mira expansão pelo Brasil


A União Europeia quer proibir a venda de novos carros a gasolina e diesel a partir de 2035. Mudanças como esta ainda não chegaram no Brasil, mas uma empresa catarinense está de olho nos avanços de mobilidade e sustentabilidade.

A aposta está na locação de carros elétricos para empresas. Para ampliar a operação, a Fever, de Florianópolis, acabou de captar R$ 50 milhões por meio de um Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC).

“A Fever está preparando o mercado e conversando com os grandes players, mostrando que já oferecemos uma solução para que as empresas se antecipem à regulação”, diz Nelson Füchter Filho, fundador da Fever.

A empresa oferece veículos de transporte de mercadorias e serviços, com assistência técnica e manutenção da frota. Os modelos são produzidos por fabricantes parceiros no exterior e importados pela empresa, que concentra sua atuação na operação, locação e financiamento.

A captação será utilizada para financiar novos veículos e poder atender mais empresas e as demandas das grandes companhias. O número de veículos contratados em relação ao último ano deve quintuplicar e o faturamento crescer em dois dígitos. 

O fundo de R$ 50 milhões

Como uma empresa de locação, o crescimento da Fever depende diretamente do número de veículos disponíveis – e é isso que motivou a rodada. 

“Não podemos depender das oscilações do mercado financeiro para crescer. Precisávamos de uma estrutura de capital que acompanhasse o ritmo dos contratos”, diz Filho. 

Para viabilizar esse modelo em escala, a empresa estruturou um FIDC, batizado de Fleeter, que será direcionado inteiramente para a aquisição de novos veículos. 

A operação é liderada pela Horizonte Investimentos, como gestora, com a Capitânia Investimentos atuando como cogestora e investidora âncora. A estrutura conta ainda com a participação da própria Fever Fleet, como cotista subordinada, além de FIDD Group na administração, BTLaw na estruturação jurídica e Liberum como agência de rating.

A primeira rodada captou R$ 50 milhões. O valor financiará 280 veículos elétricos, considerando como base o modelo Fever Nextem FN1000. 

Filho espera que a primeira rodada se esgote até junho, quando uma nova rodada de R$ 200 milhões deve impulsionar o crescimento. Com a nova captação, o esperado é que o número de veículos financiados fique entre 1 mil e 1,2 mil. 

Após comercializar cerca de 100 veículos no ano passado — período marcado pelo lançamento da operação —, a meta é atingir 500 unidades em 2025 e, no ano seguinte, chegar a pelo menos mil veículos.

“Nossas negociações indicam que os primeiros recursos devem ser consumidos rapidamente, com clientes que já manifestaram interesse”, afirma. 

Frota urbana elétrica

A frota financiada pela empresa é composta por veículos comerciais leves 100% elétricos, como vans e pequenos caminhões voltados à logística urbana. Projetados para circular em centros densos, os modelos priorizam operacional e facilidade de condução.

“São veículos comerciais leves, com dirigibilidade muito parecida com a de um carro de passeio”, diz Filho. 

Além da adequação ao ambiente urbano, os veículos se destacam pelo ganho econômico. Segundo a empresa, o custo por quilômetro rodado pode ser mais de 80% inferior ao de modelos a combustão.

Há ainda vantagens operacionais, como a isenção de rodízio em cidades como São Paulo, o que aumenta a disponibilidade da frota.

A estratégia comercial começa pela redução de custos operacionais, mas evolui para uma oferta mais ampla, que inclui locação, manutenção, seguro e gestão da frota, sem necessidade de investimento inicial.

“Apresentamos uma proposta de redução de custo, mas entregamos uma solução completa para o cliente operar melhor”, afirma.

Origem da Fever

Criada a partir de uma tradição familiar no setor automotivo, a catarinense Fever surgiu em 2022 com uma proposta clara: atuar no cruzamento entre eletromobilidade e logística urbana.A ideia foi identificar oportunidades em dois movimentos simultâneos: a eletrificação dos veículos e a transformação do consumo impulsionada pelo e-commerce.

Com foco exclusivo em veículos comerciais 100% elétricos, a empresa desenvolveu um portfólio voltado à chamada “última milha” — etapa final da entrega, geralmente feita dentro dos centros urbanos. 

O início foi marcado por triciclos elétricos, usados como MVP para validar o negócio. Em seguida, vieram veículos voltados a operações internas (como aeroportos e centros logísticos) e, mais recentemente a empresa avançou para veículos urbanos leves.

Um dos desafios iniciais foi estruturar o pós-venda. Para isso, a empresa firmou parceria com a Bosch, garantindo uma rede de cerca de 900 pontos de assistência técnica no país.

Mais do que vender veículos, a Fever estruturou um modelo que combina três frentes: fornecimento dos carros, locação e financiamento. Em vez de adquirir a frota, os clientes podem optar pelo aluguel, incluindo manutenção e seguro.

“Percebemos que o cliente não quer só o carro. Ele quer uma solução completa, sem precisar imobilizar capital”, afirma Filho.

Mesmo tendo nascido em Santa Catarina, hoje 80% dos clientes estão no estado de São Paulo – capital e interior. Região em que a empresa espera expandir mais.

“No Brasil, tudo começa por São Paulo. É o coração do e-commerce, onde estão o maior mercado consumidor e os principais centros de distribuição”, diz. 

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